sábado, 24 de dezembro de 2016

Considerações sobre o Espírito do Natal

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Obs.: este texto foi escrito pela reinscidência de cometários de amigos quanto a esta questão e sempre que algo se repete muito e me vejo pensando repetidamente sobre o mesmo tema, preciso escrever para concatenar as ideias para que eu mesma entenda os meus conceitos. Depois leio e sinto.  Quando este "sentir" vem em forma de conforto, reafirmo: Sim... é isto que penso e sinto sobre isto! 

Bom, consideremos que de todas as datas, o Natal, devido ao seu lado mistíco tem o poder de retirar das pessoas a "grossa casca" acumulada ao longo do ano e demonstrada pela falta de abraços, de sorrisos e até de um papinho mesmo... 

Não  incluo aqui a falta de bom dia, com licença, por favor e obrigada, isso aí é educação doméstica, tem gente que teve e gente que não teve. Paciência, seu ser adulto tem que administrar isso.

Então, a minha pouca consciência para um instante para analisar considerações advindas lugares comuns e fáceis e pergunta: por que ser tão agressivo e violento com o mundo só por que "não é assim o ano todo"? (esta pergunta deve ser lida com a boca torta para baixo e a língua entre os dentes, como fazem as crianças birrentas ao repetir uma pergunta).

Não é, nunca foi e nunca será assim por todos os dias do ano, simplesmente pelo fato de que nós só colhemos o que plantamos. Se nós mesmos não conseguimos ser doces, adoráveis, generosos, etc, etc, äs vezes em uma mesma semana, como podemos exigir isso do outro? 
Não acredito que seja muito maduro e lucrativo pra nossa saúde mental deixarmos de viver pequenos momentos de prazer e harmonia por causa da doença que o outro tem nos outros 364 dias do ano, minha gente! 
É muito importante saber a diferença entre ser educado e ser falso. 

É muito fácil rotular as pessoas de falsas, interesseiras e blá, blá, blá... mas eu faço outras perguntas: 
Quem é você na história desta pessoa ao longo do ano? 
Quanto você foi gentil e generoso com estas pessoas ao longo do ano?
Quanto de você foi destinado a quebrar esta possível barreira?
Você sabe o que é benevolência?
Quantos elogios sinceros fez este ano?
Estas pessoas fizeram falta e/ou diferença na sua vida?
Você conseguiu ter o "Espiríto do Natal" nos outros 364 dias?

Quem é você na fila do pão????

Por que exigir do outro aquilo que nem você consegue ser? 
Com que direito?

Antes de julgamentos infantis e pouco briosos, acredito que temos que ser a nossa própria cura, temos que agradecer ao Criador por ainda termos pessoas que, mesmo com os nomes fofos que você as deu, estas ainda lhe consigam destinar orações...
O mundo é um grande espelho e só reflete o que mostramos de nós. 

Vitimismo talvez seja a pior arma para usar em busca do reconhecimento do outro e na melhoria de nós mesmos.

Vamos assumir a nossa parcela e tentar ajustar o que está ao nosso alcance, talvez este sim, seja um bom gesto de Natal. 

Obs.: este texto foi escrito pela reinscidência de cometários de amigos quanto a esta questão e sempre que algo se repete muito e me vejo pensando repetidamente sobre o mesmo tema, preciso escrever para concatenar as ideias para que eu mesma entenda os meus conceitos. Depois leio e sinto.  Quando este "sentir" vem em forma de conforto, reafirmo: Sim... é isto que penso e sinto sobre isto! 

domingo, 15 de novembro de 2015

Na moral...


Sonhei que a casa,na qual morei a vida inteira, desabava...
Refleti sobre este sonho e, decididamente, todas as convenções que estavam começando a se alicerssar sobre o meu agir precisam ruir.
Não sei como, nem em que momento as pessoas se deram, ou lhes permiti o direito de me "aparar", de definir em suas mentes, tão humanas e falhas como a minha, que devem determinar como devo falar,agir e até pensar.
Não... Decididamente, não demonstre o seu " amor" por mim dizendo como eu sou e/ou deveria ser, principalmente se me conheceu outro dia!!!
Estou desabafando isso tudo por que acabei de me dar conta do quanto perdi da minha personalidade que sempre foi "diferente" mesmo: não sei dissimular sentimentos e não permito uma cena de perfeição imperfeita.
Deixem-me falhar, deixem - me passar impressões falsas ou verdadeiras mesmo sobre mim! Sou o que sou e o que pensam ou definem sobre mim é problema particular, pessoal, pena que transferível, de cada um, e voltarei a "andar" pra isso. 
I
Ainda, como sempre foi, continuo pagando as minhas contas, trabalhando e usando o meu suor. Nunca recebi gratuitamente conforto e mimos desse mundo que se acha no direito de me julgar e me definir.
Estou sufocada tentando "agradar" um monte de humanos, de encarnados, logo, imperfeitos, assim como eu!
Como a gente pode se deixar levar com a confusão de amor, de gostar...?
Uma dica muito útil para todas as pessoas que conheço: se sentir que estou " atrapalhando " a sua vida com a minha personalidade que fala alto,que gargalha, que faz piada de duplo sentido, que ri das graças e desgraças, que não dá confiança a bandeiras de pureza e amor incondicional sem auxílio ou presença, que acredita muito em Deus, mas igualmente em esforço para aquisição de resultado, que não acha importante decorar, ornar, não mostrar ou mostrar demais, etc, etc : Afaste-se!
Se eu sentir alguma dor por causa disso será apenas consequência de ser integralmente honesta comigo.

Estou de volta: com os MEUS pré-conceitos, sem outros tantos, com a leveza de um piadista ácido e cruel a depender do ouvido que escuta, sem pendências morais nos banheiros e camas da vida, sem nenhum registro na polícia humana, apenas da minha consciência, que me vigiará sempre que eu deixar!
Escrever alivia tanto que acabei de me perdoar...
E o que preocupa tanto os meus "queridos" que tanto se "pré-ocupam" sobre o que mundo vai pensar de mim e por isso posso ser diferente: eu lhes perdôo e peço que não se preocupem mais.
Ah... Eu sempre sei quando alguém quer me dizer algo e conta uma estorinha (com "é" mesmo) para me "catequizar", o que entendo como covardia e me condena imediatamente por que eu digo na lata da cara mesmo!
A propósito, fiz uma conta aqui e este texto vale para dois ou três humanos que eu talvez tenha valorizado demais. Refiz a conta e o resultado foi em ¥!!!!
Depois de escrever todo este texto encontro este que o reflete absolutamente:

Sem mais delongas: Deixem-me...
...Na minha, paz!
Com falta, paz! 
Cheia, paz!
Vazia, paz!
Eu mesma!
E tenha paz!


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dia do amigo

Então...
Depois que criaram este "dia do amigo" sempre paro para refletir sobre o tema...
Para este ano, a conclusão é: não, não se faz mais amigos como antigamente... 
Antigamente, entenda que é qualquer tempo em que se pode ter a pessoa querida e chamada de amiga por perto, sem muitos empecilhos, sem hora marcada, sem ter uma comida pra dar sabor a visita, uma roupa nova pra ela reparar, a casa limpa pra evitar um comentário depois, mesmo que seja seu hábito deixá-la limpa, tem que ter uma faxina, os cabelos arrumados, etc, etc, etc , como agora tem que ser para receber os "amigos" de hoje em dia... Detalhe que, a maior parte destas exigências são mesmo desta besta chamada Adulto que mora dentro de mim agora...
Lembro tanto de estar de camisola, cabelo desgrenhado, casa sendo limpa, receber um assobio na janela e, bastava aparecer para "autorizar" a entrada ou de descer assim mesmo pra receber os de antigamente...
Ai, quantas saudades... de não falar nada, de rir de tudo e de nada, de dizer sim e não sem julgamentos, de poder ser sempre a mesma e tudo ficar igual, de ter sempre onde ir ou estar...
É... mas até estes amigos de antigamente já não existem mais, um bichinho chamado Tempo, de sobrenome Distância, levou-os para bem longe e estou me virando aqui com os novos e bem poucos que o Sr. Adulto aceita.
Para evitar "crises", até por que amigo mesmo não se melindra, ratifico que são novos, poucos e Bons.
Peço a Deus, todos os dias, que me dê sabedoria para aceitar que a vida é dinâmica, que eu mudo e tudo a minha volta também, inclusive e principalmente as pessoas, suas prioridades, seus conceitos e seus amores. 
Agradeço a Deus por todas as pessoas que um dia tiveram o título de "amigo" na minha vida, pelas que ainda tem e por todas que ainda terão.
Danielah Teles

terça-feira, 19 de março de 2013

A PROMOÇÃO




Cheguei em casa por volta das 21h30, a Luciana estava como sempre, com aquele mulambinho que ela alega ser mais confortável, de toca para manter os cabelos prontos para o dia seguinte e, certamente, com aquele calçolão com elástico meio frouxo (muito semelhante a um coador de café) que, segundo ela não machuca as virilhas (sempre descobria quando íamos dormir), se preparando para assistir a novela...

Abri a porta e, como eu deixei de ser uma novidade há muito tempo, ela não me dirigiu o olhar. Falei com as crianças, fui até o quarto colocar a minha pasta e a chamei:

- Luciana, pode vir aqui, por favor?
- Fala.  (com um tom: “ninguém merece, seja breve, a minha novela vai começar”).
- Fui promovido! (sem muita euforia, claro).
- Como assim? Ganhou mais trabalho ou vai ganhar mais? (sem nenhuma euforia)
- Uma promoção de verdade. Vou receber três vezes mais!
- Meu amooor (a última vez que me chamou assim, faz aproximadamente uns 2 anos quando o meu pai morreu), que maravilha, mas você é mesmo muito competente, sempre acreditei em você, blá, blá, blá...
Recebi um beijinho e fui tomar banho.

Durante o banho, não acreditei no aroma que estava sentindo. Estaria eu sonhando? Não. Era mesmo cheiro de bife frito na manteiga!

Quando saí do banho, a mesa posta: arroz, feijão, salada de tomate, farofinha e... Tudo fresquinho. Juro: não tinha nada de microondas.
As crianças já estavam nas suas camas e, a Luciana não estava.
Não deu tempo de procurá-la, estava com muita fome.
Foi um dia e tanto.
Escovei os dentes e fui pro quarto.
Não acreditei: a minha mulher estava sem toca, com uma lingerie maravilhosa, muito sensual (eu nunca tinha visto, nem sabia que ela usava estas coisas)... mas não deu pra pensar muito... Fiz amor com ela como se fosse com a minha namorada... (sim, eu tenho uma namorada. Uma mulher muito Boa. Boa em todos os sentidos, afinal, preciso que alguém diga que sou viril, atencioso, interessante... mas nossa relação é muito clara. Ela não tem esperanças, eu nunca as dei, afinal: sou um cara honesto).
Depois do amor, ela disse-me com uma vozinha de criança:
- A partir de amanhã vamos fazer tudo “zuntinhos”...
- Tudo bem...

1° DIA - Meu café da manhã já estava pronto quando terminei de me barbear. As crianças já de uniforme e pasmem: nenhum grito, nenhuma manifestação da histeria habitual da Luciana... (Ah... eu sou um cara muito sortudo).
Lá fomos nós...
Deixamos as crianças na escola, (ela apontou um ruidinho no carro que concordei apesar de não ter percebido) deixei a Lú no trabalho e fui para o meu.
Ela me ligou por volta das 10h e ... “ Nada não... só pra dizer “oi””...
Convidou-me pra almoçar e fomos. Foi ótimo.

Eu começava a redescobrir a minha mulher.
Final da noite (sem mulambo, sem toca), jantar fresco, beijinho,  outra lingerie, fizemos amor de novo!

2° DIA - Igualzinho ao primeiro, só que mais um ruído no carro apareceu.

3° DIA - Idem

4° DIA – Idem ( minha namorada me ligou. Deixei ir pra caixa, depois falo com ela. Ela vai entender.)

O 1° mês após a promoção correu assim: a família perfeita, a casa perfeita, só o carro que estava com uns probleminhas...
Ah... no 28° dia do mês fechamos a lipoaspiração da Lú. Ah... foi muito bom  ver aquele sorriso.

No 2° mês trocamos os estofados, as cortinas, redecoramos o nosso quarto e o das crianças.
Perguntei pra Lú:
- E o seu tratamento dentário (ela tem uma retorção maxilingual transversa do siso inexistente par)? Faz dois meses que você não vai ao dentista.
- Ah... Tô meio enjoada. Aquele dentista é meio lento. Qualquer dia retomo...

No 3° mês: O carro ano 2011 que tínhamos acabado de quitar,a Luciana me convenceu ser praticamente um fusca 1978, ela tinha razão:

- Decididamente: temos que trocar o carro.
- Não querido, eu posso usar este. Compra um pra você. Com a sua nova posição você tem mais necessidade de um carro atual, que impressione mais. Você merece.

4° mês: fomos a concessionária. Ela escolheu a cor, o modelo e até o vendedor que iria nos atender. Ela realmente é muito sociável. Estava tão radiante, tão feliz, tão completa que foi impossível não...

- Suas chaves!
- Como assim, mô? (com lágrimas nos olhos)
- É seu.
- Eu te amo! (e nos beijamos, na rua (ela odiava isso há quatro meses)).

A minha namorada? Não. Não temos mais nada. Eu não disse pra ela mas, ela é uma mulher inteligente. Deve ter entendido.
 Afinal, com uma mulher como a Luciana, quem precisa de namoricos?

26° dia do 5° mês.
Quando cheguei em casa a Luciana estava de  toca.
 E, com a nossa “nova intimidade”, resolvi perguntar:

- Que foi que houve? Piolho? (e sorri)
- Não... só quero mantê-los prontos pra amanhã. Tem um lanchinho no microondas.

Fomos dormir. Não era o coador, mas não era assim: uma lingerie... antes que eu adormecesse ela disse que reiniciou o tratamento dentário.

16° dia do 6° mês.
 A gritaria e o mal humor da Luciana estavam de volta, a sua apatia, os mulambinhos e a tal da toca.
Compreendi.  Não é fácil trabalhar, cuidar das crianças, administrar a empregada..

No 3° dia do 7° mês
Resolvi fazer uma surpresa pra minha mulher.
Liguei pra casa, mas a D. Junia disse que ela tinha ligado avisando que iria se demorar. Iria ao dentista.
O tratamento era muito complexo.
Ela ia ao dentista 3 vezes por semana.

Resolvi encontrá-la no dentista para irmos a um motel.
Desisti da idéia do motel, o dinheiro já não sobrava como antes. Temos muitas prestações. Mas, podemos comer uma pizza. Por que não?
Se eu corresse a alcançaria saindo do dentista.
E assim fiz.

Cheguei ao prédio.
Eu a deixava sempre lá, não sabia o andar, resolvi esperar no estacionamento. O carro dela ainda estava lá.
Esperaria e tudo resolvido.
E assim fiz.

Depois de uns 30 minutos a Luciana desceu, pra minha surpresa, com o Dr. Ricardo. Entraram no carro dela.
Pensei: “ Deve ter faltado algum equipamento, algum anestésico...” e os segui...

Não. Não estava faltando anestésico. Pelo menos, nunca fizeram a publicidade deste item à venda em um dos melhores motéis da cidade.

O que  mudou?

Nada.
Quer dizer... quase nada. Ela ainda usa os mulambinhos, a toca, o coador, assiste novelas, grita com as crianças... já os meus 3 salários a mais e as minhas horas de lazer estão comprometidos. Afinal, fui promovido.

Mas, eu sou um cara de muita sorte. Quem sabe não recebo outra promoção daqui uns 2 anos e vivo outros melhores momentos da minha vida de casado?

A namorada? Ah... a ligação sempre cai na caixa de mensagens. Ela nunca retornou. É uma mulher inteligente.

José da Silva
Promovido, endividado e ansioso pela próxima promoção!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CHOQUE DE REALIDADE


Hoje, depois de algum tempo, precisei do serviço público de saúde na cidade de Salvador, no estado da Bahia, no país Brasil, para socorrer o meu sobrinho que estava perdendo os sentidos em intervalos de 1h e ardendo em febre. 
A dúvida era: “Será que morri, fui para o inferno e ninguém me contou?”

 Sei que a maioria dos meus amigos tem plano de saúde e, por isso, assim como eu, “entende” a dor e o sofrimento que "vê" nos telejornais.

Amigos, posso garantir: o que vemos na TV não é nada! 

1ª tentativa: 26/09/2012, 5º Centro de Saúde – Vasco da Gama/ Garcia, 08h32 da manhã: ao chegar percebo o desespero e a incredulidade nas faces de todos os convalescentes e imediatamente, a placa :

                          TEMPO PREVISTO PARA ATENDIMENTO: 10 HORAS

 Esperar 10 horas?

Serão 10 horas de dor, 10 horas de angústia, 10 horas de exposição a outros dramas, 10 horas de exposição a outros vírus... 10 horas de raiva, 10 horas de humilhação!!!

Melhor ir até a  farmácia comprar Tylenol... o médico certamente iria concluir que era uma “virose” e receitaria isto mesmo... 

Não houve melhora. A febre permaneceu e, as 4h40 da manhã ele estava desacordado no meio da cozinha.

“Senhor, onde ir?”

2ª tentativa: 27/09/2012, Hospital Ernesto Simões Filho, Caixa D’Agua, 5h20 da manhã: o rapaz pálido, suando por todos os poros e sem cor, em via de perder os sentidos novamente.

 Emergência:

- Bom dia, senhora. Preciso de um atendimento de emergência.

Sem perceber que havia um ser humano na sua frente, a atendente se quer, levanta o olhar na direção do ruído.

Novamente: - Bom dia, senhora. Preciso de um atendimento de emergência.

Enfim um: 

- Diga...

- Preciso de um atendimento de emergência... ele está perdendo os sentidos novamente...

- Aguarde aí do lado que vai passar pela triagem.

- Obrigada. 

Seguimos para o local indicado e o “porteiro-médico”:
- O que ele tem?
Queria saber a enfermidade e, pareceu-me que não nos iria deixar passar se não respondesse. Então eu disse:

- Falar com um médico.

E ele abriu o portão do hospício, purgatório, ainda não sei bem: pessoas em macas sem colchões, idosos em cadeiras precárias, homens, mulheres, entregues ao descaso de um serviço que pagam...

Após uns 10 minutos,  saiu a 5ª pessoa que estava à nossa frente. (A tal "triagem" levava menos de 2 minutos)

Nossa vez:

- Bom dia, Doutora... este é meu sobrinho. Ele está, blá, blá, blá...

Ela se levantou, antes que eu concluísse os sintomas  e fez alguns movimentos na cabeça dele com as ponstas dos dedos indicadores e polegares e correu para lavar as mãos com sabão e muita água.

Sem saber da condição monetária para deslocamento, sem medir a pressão arterial, sem verificar a garganta, ou seja, apenas com as pontas dos dedos que lavou em desespero e me fez pensar mil coisas terríveis, deu a seguinte “sugestão”:

- Nuca livre. Leve-o para o Posto do Curuzu que lá faz exame de sangue... o posto com laboratório daqui está fechado. 

Desnorteada e sem saber o que pensar, fui ao tal Posto. 

3ª tentativa: 27/09/2012, Posto do Curuzu, Liberdade, 6h00 da manhã: mais uma vez, dirijo-me a uma atendente:

- Bom dia, senhora. Preciso de um atendimento de emergência.

Sem qualquer saudação:

 - Documento...

Entreguei os documentos, ela preencheu alguns papéis e falou:

- Aguarde aí que o médico vai chamar. 

Eu entendi a mensagem “aguarde aí!”,  só foi difícil aceitar que o local de espera de uma emergência era debaixo do sol em bancos de alvenaria onde dormia um cachorro sarnento com mosquitos a sua volta. Algumas outras pessoas com cara de dor e desalento.

Sentamos.

O rapaz estava sem cor, suava muito... o mal-estar estava de volta e a minha aflição aumentava...  

Ouvimos o nome dele e nos dirigimos a porta (eu, minha mãe e o meu sobrinho).

Dois “seguranças” montados, cada um em sua cadeira, como se estivessem em um bar (o encosto servia de apoio para os cotovelos), berraram: -

- Só um acompanhante, senhora!

Minha mãe falou: - Então ajudem! Ele está desmaiando.

 Ele nem fizeram menção de movimento. Reuni todas as minhas forças e arrastei o meu sobrinho até a sala do médico.

 Aflita disse:

- Bom dia, doutor. Estou aqui, vez que, estive no Ernesto Simões e a médica disse-me que aqui poderia fazer os exames que ele precisa e, blá, blá, blá...

Antes que eu terminasse de falar ele, sem nos destinar um olhar, sem se levantar da cadeira, disse:

- Não... aqui não faz exame nenhum.

- Doutor,ajude-me... ele vai desmaiar novamente...

 E ele desmaiou.

O cidadão, formado em medicina que fez um juramento com a vida, disse-me:

 - Eu nem tenho tensiômetro...

- Doutor, por favor!!!

- Peraí que eu vou ver se tem um ali... – disse ele.

 Voltou em 30 segundos:

- Tem não... eu vou passar um sorinho, um remedinho e depois você leva ele para o Hospital São Jorge, no Largo de Roma. Lá faz... no Hospital do Subúrbio também...

As lágrimas de raiva e indignação caiam dos meus olhos sem controle, sem que eu entendesse direito o que estava acontecendo...

Peguei o papel na mão do médico, com o garoto voltando a si com muita dificuldade e segui para a sala de observação...

Jesus Cristo! Era a própria visão do inferno... parecia filme: as poltronas onde as pessoas recebiam soro estavam com os estofados rasgados, como se um cachorro tivesse feito aquilo... odores... e todos juntos. Desta vez: crianças, idosos, senhoras...

Acomodei o meu sobrinho em uma das cadeiras e me dirigi ao posto de enfermagem.

Uma senhora entrou e saiu. Nem respondeu ao meu “bom dia”, outra e outra...

Até que, uma falou:

- Diga...

- Bom dia. É aquele rapaz ali.

Entreguei a instrução do médico (Soro, Plasil e Dipirona).

Ela, arrastando os pés, foi preparar a medicação.

Voltou em 10 minutos e começou a aplicar.

Quando concluiu a segunda seringa, perguntou:

- Ele é alérgico a algum medicamento?

Possuída por um espírito zombeteiro, ciente do que estava escrito no papel disse:

 - Sim. Ele tem alergia a PLASIL.

Ela, de forma indignada e revoltada, disse:

- E você não me diz nada???

Eu respondi com um sorriso maligno:

- Nem você, nem o médico perguntaram. Por isso não disse, mas pode continuar, ele não é alérgico.... se não me engano é sua obrigação e do médico perguntar, certo?

Ela me olhou com cara de monstro e ia saindo quando eu perguntei:

- Tem uma maca, cama...?

- Tem uma lá dentro. Peraí que eu vou pegar o lençol.

 E trouxe um pedaço de cami para cobrir o encerado do leito enferrujado.

Uma criancinha e sua mãe dormiam no local destinado a observação/ recuperação de homens, enfim...

Neste exato momento, 27/09/2012, 17h14 o meu sobrinho está vivo.

O que ele tem?

Ainda não sabemos...

Precisamos nos recuperar do choque para darmos continuidade ao processo humilhante e torturante que é ter um atendimento na rede de saúde pública em Salvador.

Sem subestimar ou duvidar que tem um propósito,  gostaria muitíssimo de saber o que ELE, o Todo Poderoso, pretende com isso tudo.

Sim... Eu acredito que tem um propósito, e preciso manter esta fé intacta, do contrário, mato ou morro com tanta injustiça. 

Malditos e desprezíveis gestores deste país, a vocês destino todo o meu desprezo e repúdio e, tudo que vivi neste dia e o que muitas pessoas estão vivendo neste momento, destino toda culpa a vocês ratazanas miseráveis que metem a mão no que não lhes pertencem e, a desgraça que é o meio de comunicação chamado televisão: que aliena, manipula, corrompe, exclui, ignora e usurpa a inteligência de todo um povo já que quem a “regula” são os tais citados acima.

Espero que vocês, no momento em que estiverem gozando dos prazeres que o nosso dinheiro lhes proporciona, sintam o cheiro e o gosto de tudo de podre que estão plantando neste país.

A propósito, amaldiçoados: não voto em ninguém, principalmente em quem já esteve no poder de alguma forma, afinal, isto tudo é reflexo de vocês, corruptela maldita! 

A todos que se julgam um pouco menos alienados, imploro que façam alguma reflexão. Pensem em como podemos mudar esta situação em meio a tantas outras muitas injustiças provenientes desta cultura de corrupção que já aceitamos e entendemos como “natural” por parte destes bandidos engravatados.

É uma quadrilha muito organizada, mas com inteligência e boa vontade, será que não vamos encontrar uma saída?

Se pensarem em algo, se lhes ocorrer algum plano possível, por favor: convidem-me para ajudá-los.
Estou mesmo muito cansada deste meu papel de “cidadã vítima”.

Quero ser cidadã!

Atenção: não me convidem para distribuir sopa, fazer caridade em abrigos, orfanatos, etc.

Isto é esmola!

Eu quero mesmo ajudar a ter devolvido os nossos DIREITOS de saúde, educação, cultura e qualidade de vida que são garantidos pela Constituição e que devem ser viabilizados como retorno das nossas contribuições em impostos altíssimos que pagamos.

Infelizmente tenho que entender como “natural” e provável que duas ou três pessoas leiam este texto até o final mas, já será gratificante se estes se mantiverem reflexivos sobre o tema de forma positiva. Vai que o insconsciente coletivo se sobrepõe a nossa preguiça de pensar e reagir e consegue promover alguma “mudança”, né?

Danielah Teles
27/09/12